quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Viaduto do Baldo: Quase um mês após interdição, quase nada foi feito



Interditado há 28 dias - quase a metade do prazo concedido pela Justiça à pedido do Ministério Público Estadual -, os trabalhos de estudo da estrutura do viaduto do Baldo ainda não foram iniciados. A contratação do perito convocado para o serviço de avaliação - engenheiro civil José Pereira da Silva - não foi formalizada, o que deve ocorrer, de acordo com a administração municipal, até amanhã (1/11). Enquanto a morosidade se arrasta, cerca de 3.500 carros em média deixam de utilizar o acesso diariamente.

A expectativa de Teresa Cristina Vieira, titular da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (SEMOPI), é de que o contrato, no valor de R$ 40 mil, seja assinado ainda esta semana. Há pouco mais de dez dias, a gestora afirmava que a intenção era firmar a contratação até o fim da semana passada. “Não deu certo por conta de entraves burocráticos. Só por isso”, disse Teresa.

O problema com a contratação do engenheiro José Pereira origina-se do fato de o processo ter ocorrido sem licitação. O profissional foi escolhido por ter feito um estudo no viaduto do Baldo, que rendeu o relatório que baseou o pedido de interdição feito pela promotoria de Defesa do Meio Ambiente. “Ainda estamos aguardando o parecer jurídico para fechar a contratação”, afirmou a secretária.

Ainda de acordo com ela, a decisão pela desobstrução do equipamento é de competência do perito, que deve levar pouco mais de 60 dias para realizar todo a análise necessária, em conjunto com a sua equipe, e apresentar um relatório sobre a situação da obra. “O prazo dado pela Justiça serve de base, mas é o profissional que pode decidir quando a interdição pode ser finalizada”, analisou a titular da SEMOPI, lembrando que o prazo de interdição estabelecido pela justiça foi de 60 dias.

O valor da contratação, segundo ela, foi decidido em negociações com o perito. “O valor de R$ 40 mil servirá para todo o trabalho, incluindo as análises laboratoriais e pagamento da equipe do engenheiro”, destacou Vieira.

Do outro lado da situação, o engenheiro José Pereira da Silva também espera para poder começar a trabalhar. Sem querer sinalizar se irá liberar o tráfego no viaduto, o perito, com larga experiência na área de grandes construções, diz que só aguarda a Prefeitura do Natal chamá-lo para assinatura do contrato. “Encaminhei toda documentação que me pediram. Espero assinar logo para começar o trabalho”, afirmou o engenheiro, que trabalhou de calculista em obras como o Estádio Machadão, os ginásios Nélio Dias e Humberto Nesi (Machadinho) e a Catedral Metropolitana.

Na tentativa de adiantar o trabalho mesmo sem ainda ser contratado formalmente, dirimindo o prejuízo dos 28 dias em que o viaduto esteve interditado e nada foi feito, José Pereira já fez uma visita ao local e vem reunindo documentos que irão ajudá-lo e à sua equipe na condução dos estudos e análises. “Fui atrás de encontrar os antecedentes documentais do viaduto. Resgatar sua história. Apesar de estar trabalhando sozinho, já consegui encontrar muita coisa”, relatou o engenheiro. Dentre os documentos já reunidos pelo engenheiro, estão os originais do projeto, que inclui a memória de cálculo da obra, que apresenta de forma detalhada a construção do viaduto, especialmente o coeficiente de segurança da construção. O engenheiro ressaltou que a visita inicial foi de caráter superficial, sem caracterização técnica.

A confirmação dos problemas, segundo ele, só viria após a confecção do laudo pericial. A ação foi autorizada pela própria secretária Teresa Cristina Vieira, como medida para tentar ganhar tempo. Ele também não quis adiantar se poderia liberar o tráfego na totalidade ou apenas em algumas faixas do viaduto, o que só poderia ser feito após a avaliação profunda da estrutura.

A assinatura do contrato deve dar o pontapé formal para uma possível reparação dos danos que venham a ser identificados. “O laudo do perito vai basear o que será preciso fazer de reparos no viaduto”, destacou a secretária Teresa Cristina Vieira. Um laudo semelhante foi entregue à administração municipal há cerca de três anos, mas nenhum trabalho foi feito no local.

Durante visita ao viaduto, José Pereira confirmou a expectativa em relação à situação de conservação da construção. “Todos os problemas detectados em 2009 persistem, porque nada foi feito”, aponta o engenheiro civil. O documento produzido após pouco mais de 40 dias de análises naquele ano apontava problemas estruturais, mas não sugeria nada sobre o atual cenário de interdição. “No relatório não sugeri que o viaduto fosse interditado”, contou o engenheiro.

Fonte e foto: Novo Jornal

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