terça-feira, 24 de maio de 2016

Leilão da Busscar fica para julho. Mexicanos, argentinos e grupo mineiro estão interessados, diz juiz.

FONTE: Blog Ponto de Ônibus

busscar gontijo
Gontijo ainda mantem vários ônibus Busscar
Edital deve ser lançado nesta semana e valores de lances serão 49% menores
ADAMO BAZANI
Prevista para ocorrer no mês de junho, a terceira tentativa de leilão dos três principais ativos da encarroçadora Busscar, que teve falência decretada pela primeira vez em 2012 vai ficar agora para o dia 8 de julho.
A revelação foi feita pelo juiz substituto da 5ª vara cível de Joinville, responsável pelo processo, Walter Santin Junior, ao jornalista Claudio Loetz, do A Notícia,.
O magistrado também falou que surgiram duas propostas concretas para a venda da empresa. Uma do México, e outra da Argentina, mas não revelou nomes. Há interesses de um grupo de transportes de Minas Gerais
“Surgiram duas propostas concretas, formalizadas fora dos autos do processo. Nós as consideramos importantes. Uma vem do México e a outra é da Argentina. E mais uma, de caráter especulativo, vinda do Chile. Dois dos empresários são do setor de ônibus. O terceiro é do ramo automobilístico, mas não do de carrocerias… O empresário mexicano quer pagar um valor muito abaixo do que desejamos. Em compensação, se compromete a reativar a fábrica em Joinville, gerando empregos na cidade. A da Argentina vai na direção contrária. O valor que pretende pagar se aproxima muito do que dirá o edital. Mas, o objetivo é levar o patrimônio móvel e produzir ônibus na Argentina.. Um grupo mineiro esboçou interesse, mas é só especulação, por enquanto. Não dá para esperar pela eventual melhora do cenário econômico para, só então, levar as fábricas a leilão. Está tudo muito incerto na economia. Os estrangeiros têm, a seu favor, a cotação do dólar..” – disse ao jornalista
De acordo com fontes de mercado ouvidas pelo Blog Ponto de Ônibus, este grupo mineiro teria relação com a empresa de ônibus Gontijo, que não confirma oficialmente.
A previsão de leilão para o dia 8 de julho deve se concretizar se não houver nenhum empecilho.
Nesta semana, deve ser lançado o edital. Os três ativos devem ter lances mínimos que totalizam 49% do valor estipulado na primeira tentativa de leilão: R$ 144 milhões 142 mil.
Senão houver interesse no lote único, as plantas serão leiloadas individualmente: fábrica de carrocerias de Joinville a R$ 122,43 milhões, planta de Pirabeiraba por R$ 12,9 milhões e a de Rio Negrinho por R$ 8,8 milhões.
Se mesmo assim não houver lances, o maquinário das fábricas será leiloado separadamente.
A estratégia é atrair o maior número de interessados. Por isso o novo leilão terá etapas diferentes.
Inicialmente, vão ser oferecidos de uma só vez os três ativos. Também haverá a possibilidade de lances para cada fábrica com os equipamentos. Isso já havia ocorrido nos dias 15 e 29 de março.
A novidade é que se não houver interessados, no mesmo dia, terá início a uma segunda etapa que será o leilão de lotes de peças.
O objetivo é ampliar as possibilidades de vendas para grupos interessados no operacional e outros no setor imobiliário.
O caso do operacional é para quem quiser arrematar a fábrica de carroceria e equipamentos.
Já o segmento imobiliário deve ter mais interesse pelas unidades de Pirabeiraba e Rio Negrinho, por causa dos galpões e terrenos.
Já foram arrematados da massa falida da Busscar Ônibus os seguintes ativos: a fábrica de peças e materiais de fibra Tecnofibras, a Climabuss – de equipamentos e refrigeração e as ações da Busscar Colômbia, empresa que atua naquele país.
BREVE HISTÓRICO:
A Busscar foi fundada oficialmente como Nielson no dia 17 de setembro de 1946, com iniciativa de Augusto e Eugênio Nielson que começaram uma pequena oficina em Joinville, atuando na construção de móveis e utensílios e fazendo reparos em carrocerias de caminhões e cabines. Em 1948, a Nielson fez seu primeiro veículo de transporte coletivo, uma jardineira – ônibus simples feito de madeira. O veículo da Nielson foi uma encomenda da empresa Abílio & Bello Cia Ltda, que fazia a linha Joinville – Guaratuba, em Santa Catarina.
Foi na época do surgimento empreendimento dos Nielson, que o Brasil começava assistir mais intensamente o crescimento das cidades e também das relações comerciais entre as diferentes localidades. Tudo isso demandava uma maior oferta de transportes. Assim muitos empreendedores compravam chassis de caminhão, como da Ford e da GM, e precisavam transformá-los em ônibus para enfrentar as difíceis estadas de terra e verdadeiros atoleiros. Nesta época, a Nielson & Cia Ltda. tinha o comando do patriarca da família, Bruno, e do filho Harold.
Em 1958, um dos marcos para a Nielson foi o projeto de estrutura metálica para os ônibus.
No início dos anos de 1960, ganhavam as estradas os modelos Diplomata, carroceria de dois níveis que lembravam os Flxibles norte-americanos que, quando foram importados pela Expresso Brasileiro Viação Ltda eram chamados de Diplomata. A Nielson então conquistava definitivamente o mercado.
Nos anos de 1980, Nielson cresce mais e no segmento de rodoviário travava disputa acirrada com a Marcopolo e no segmento urbanos, a briga era com a Caio, praticamente de igual para igual.
A linha Diplomata tinha recebido novas versões e o Urbanuss ganhava atenção dos frotistas.
Por uma estratégia de negócios, a Nielson mudou a marca para Busscar. Inicialmete a marca foi conhecida como Busscar-Nielson. Surgiram os rodoviários El Buss e Jum Buss  e os urbanos da linha Urbanuss.
Em 2002, a Busscar começa enfrentar dificuldades financeiras. A família Nielson alegava problemas motivados pela variação cambial e também dificuldades de créditos, mas já havia também erros administrativos internos. O BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social chegou a realizar empréstimos para empresa, que não foram plenamente honrados. A recuperação não foi plena, havendo novamente outro problema financeiro em 2004. A última crise da Busscar começou em 2008, quando a empresa começou a atrasar salários.
Depois de uma dívida que se aproximou de R$ 2 bilhões, contando juros, impostos e débitos com fornecedores, trabalhadores e bancos, a empresa teve a falência decretada em 27 de setembro de 2012 pelo juiz Maurício Cavalazzi Povoas. A decisão, no entanto, foi anulada em 27 de novembro de 2013, após recursos judiciais. No entanto, os recursos caíram em 5 de dezembro de 2013. A família Nielson chegou a apresentar um novo pedido de recuperação judicial, mas o juiz Luis Felipe Canever, de Santa Catarina, após negativa por parte dos credores, decretou no dia 30 de setembro de 2014, nova falência da encarroçadora de ônibus Busscar, que já foi uma das maiores do Brasil.
Os negócios continuam na América Latina com a atuação em parceira de outros grupos, com destaque para as operações na Colômbia.
A Busscar Colômbia foi formalizada no ano de 2002 sendo fruto de uma aliança entre a indústria local Carrocerías de Occidente, empresa fundada em 1995, e a Busscar Ônibus do Brasil, fundada pela família Nielson em 17 de setembro de 1946.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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