quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Flexibilidade é uma das palavras-chave para o crescimento do ônibus elétrico no Brasil

Ônibus elétrico puro possui a mesma tração dos modelos híbridos e trólebus, o que pode ajudar na escolha e eventuais mudanças de acordo com a necessidade de mercado. Foto: Henrique Santos.


Fabricante espera conseguir em cinco anos uma parcela significativa no mercado interno e na América Latina.


Apesar da crise econômica brasileira e da falta de incentivos suficientes para que os frotistas implantem sistemas de ônibus menos poluentes ou com emissão zero na operação, as fabricantes desse tipo de veículo vislumbram mudanças de cenários nos próximos anos.


Para isso, no entanto, dizem não depender apenas dos marcos legais e da vontade do poder público, embora sejam essenciais. As empresas afirmam que investem no Brasil em aperfeiçoamento de tecnologia, a fim de torná-la mais viável para o mercado, tanto do ponto de vista operacional como econômico.


E a flexibilidade é uma das palavras de ordem.


No 12º Salão Latino-Americano de Veículos Elétricos, que ocorreu até sábado, 3 de setembro, no Expo Center Norte, em São Paulo, foram apresentadas soluções em eletromobilidade desde veículos levíssimos, como bicicletas, passando por carros, até chegar aos pesados, como o ônibus.


A Eletra, de São Bernardo do Campo, exibiu um ônibus elétrico puro de 12 metros com chassi Mercedes-Benz piso baixo e carroceria Marcopolo Torino, que, com a infraestrutura de carregamento de baterias, já poderia estar operando nos centros urbanos. A emissão de poluentes é zero.


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Sistemas novos de recargas permitem processos mais rápidos. Foto: Henrique Santos.


De acordo com a gerente comercial da Eletra, Iêda Maria Oliveira, é justamente a flexibilidade de fontes de energia elétrica um dos caminhos para a ampliação dos ônibus no Brasil.


“A gente tem procurado desmistificar esta questão do [ônibus] elétrico puro. A gente está fazendo um ônibus elétrico, a tração é elétrica, o que muda é a fonte de energia. Hoje todos os nossos ônibus têm tração padronizada. Um trólebus fabricado pela Eletra, um híbrido ou um elétrico puro, eles têm o mesmo sistema de tração. Simplesmente muda a fonte. Se a fonte deste sistema de tração vem da rede aérea, é um trólebus, se vem de grupo motor gerador mais baterias, é um híbrido, se vem só de baterias, é um elétrico puro. Isso é importante porque, com foco neste crescimento de mercado, temos de cada vez mais oferecer um produto flexível. Que possa no mesmo veículo mudar a fonte de energia de acordo com as condições, sejam econômicas ou ambientais. Por isso, a gente está fazendo um sistema bem flexível mesmo. É um sistema de tração elétrica padronizada em todos os modelos” – disse Ieda, que prevê participação significativa dos ônibus elétricos da marca no mercado brasileiro e na América Latina dentro de cinco anos.


A chinesa BYD também apresentou um ônibus elétrico puro de 12 metros. Modelos semelhantes são testados em diversas cidades brasileiras, mas a empresa só se dedica a elétricos com bateria, não contando com as opções híbrido ou trólebus.


Confira a entrevista na íntegra:




Texto: Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.


Entrevista: Renato Lobo, técnico em Transportes Sobre Pneus e Trânsito Urbano.

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